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Inovação e Impacto, Inovação Social

Como a agenda climática cria oportunidades para pessoas empreendedoras

  • publicado em outubro 29, 2026
  • por Luiza Vianna
Como a agenda climática cria oportunidades para pessoas empreendedoras

Quando falamos em mudanças climáticas, é comum pensar em grandes acordos internacionais, metas de redução de carbono ou compromissos assumidos por governos e grandes empresas. Mas a agenda climática também está cada vez mais presente no dia a dia de todas e todos, incluindo de quem empreende.

Enchentes que interrompem operações, ondas de calor que aumentam o consumo de energia e secas afetam cadeias produtivas. Ou seja, em um cenário mais amplo, há escassez de recursos, aumento de custos e mudanças no comportamento de consumidores e empresas.

Efeitos como os dos exemplos já afetam os negócios. 63% das micro e pequenas empresas brasileiras já haviam sofrido impactos de eventos climáticos extremos, segundo pesquisa do Sebrae de 2025. Ao mesmo tempo, ainda existe uma grande diferença entre reconhecer o problema e estar preparado para enfrentá-lo. Em 2026, o Sebrae apontou que 72% dessas empresas não tinham processos formais para avaliar riscos climáticos.

A partir disso também surgem oportunidades. Afinal, todo problema que precisa ser enfrentado gera demanda por respostas, e muitas delas podem se transformar em produtos, serviços e modelos de negócio.

A agenda climática também pode ser lida como um mapa de problemas

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram criados pelas Nações Unidas em 2015, como parte da Agenda 2030. São 17 objetivos que organizam desafios como pobreza, alimentação, água, energia, cidades, produção e consumo, desigualdades, biodiversidade e mudanças climáticas. No Brasil, o conjunto ganhou um 18º objetivo, dedicado à Igualdade Étnico-Racial.

Para quem empreende, os ODS servem como uma ferramenta para observar desafios reais. O desperdício de alimentos, por exemplo, pode indicar espaço para uma solução de reaproveitamento ou logística. Já a dificuldade de destinar resíduos pode dar origem a serviços de coleta, reciclagem, logística reversa ou economia circular.

Dessa forma, olhar para os ODS não significa escolher uma causa para associar ao negócio. É observar quais problemas existem, quem é afetado por eles e quais soluções ainda precisam ser construídas.

Empreender para o clima não significa criar um negócio “verde” do zero

Essa talvez seja uma das principais mudanças de perspectiva. Participar da agenda climática não exige abandonar um negócio atual para abrir uma startup ambiental. O seu negócio já pode fazer mudanças, reduzindo desperdícios ou reaproveitando resíduos, por exemplo.

Pequenas mudanças já podem contribuir para reduzir impactos ambientais e custos operacionais, além de abrir possibilidades de inovação. E mostram que participar da agenda climática também significa transformar práticas, processos e negócios que já existem.

Ao mesmo tempo, essas novas necessidades criam espaço para quem deseja empreender oferecendo produtos e serviços que ajudem outras pessoas, empresas e comunidades a enfrentar desafios socioambientais.

Onde existe um desafio, pode existir uma oportunidade de empreender

As transformações necessárias para uma economia de baixo carbono movimentam diferentes mercados. Energia renovável, gestão de resíduos, mobilidade, agricultura sustentável, eficiência hídrica, construção, restauração ambiental, economia circular e tecnologias de adaptação são alguns exemplos.

Isso não significa que apenas startups de tecnologia ou grandes empresas possam participar dessa transformação. Quem vive um problema de perto conhece aquela realidade e, muitas vezes, já imaginou formas de resolvê-lo. Esse conhecimento pode ser o ponto de partida para desenvolver soluções conectadas às necessidades de uma comunidade.

É também por isso que a transição climática precisa incluir os pequenos negócios. Ampliar o acesso a crédito e práticas sustentáveis pode ajudar essas empresas não apenas a diminuir os impactos ambientais e custos, mas também aumentar a competitividade e acessar novos mercados.

Alguns projetos mostram como isso acontece. Em Passo Fundo (RS), o Amplitude Moda Circular capacitou 25 mulheres em situação de vulnerabilidade social para empreender na economia circular. O projeto, uma iniciativa do Sebrae e da Be8 executada pelo Instituto Cória em parceria com a Ciclo Reverso em 2024, uniu formação em conceitos e práticas da economia circular, capacitação empreendedora e a criação de uma associação, para que a renda viesse da atuação em rede. 

Em São Paulo, o Semeando Negócios, tem como objetivo o fortalecimento sustentável de negócios ligados à agricultura, ao turismo rural e ao beneficiamento de produtos naturais em Parelheiros, Marsilac e Grajaú/Ilha do Bororé. A iniciativa é uma política pública da Prefeitura de São Paulo, executada pela ADE SAMPA, com parceria técnica do Instituto Cória. Ainda em curso, o programa já acelerou 30 negócios e soma 351 horas de assessoria técnica e gerencial individual. Fortalecer negócios rurais é também valorizar quem cuida, produz e transforma o território.

Dessa forma, a oportunidade aparece em duas frentes. De um lado, negócios já existentes precisam se adaptar. Do outro, surgem mercados para quem consegue oferecer as soluções necessárias para essa adaptação.

Como os negócios de impacto conectam retorno financeiro e transformação socioambiental

Quando a solução para um problema socioambiental também pode virar atividade econômica, surgem os negócios de impacto. São empreendimentos que buscam sustentabilidade financeira ao mesmo tempo em que enfrentam desafios socioambientais. Um negócio de impacto não precisa escolher entre gerar receita e gerar transformação. A proposta é justamente construir um modelo no qual os dois elementos façam parte da estratégia. Saiba mais sobre as diferenças entre negócios de impacto e empreendedorismo social.

É importante lembrar que nem todo negócio que adota práticas mais sustentáveis é, necessariamente, um negócio de impacto. Nesse modelo, a solução de um problema socioambiental faz parte do propósito e da estratégia do empreendimento.

No Brasil, existe uma política pública nacional para ampliar as condições de desenvolvimento desses negócios. A Estratégia Nacional de Economia de Impacto, a Enimpacto, articula governo, setor privado e sociedade civil para criar um ambiente mais favorável ao desenvolvimento de investimentos e negócios de impacto. Entre seus eixos estão a ampliação da oferta de capital, o aumento da quantidade de negócios de impacto e o fortalecimento das organizações que apoiam esse ecossistema.

Ter uma boa solução é só parte do caminho. Para transformar uma ideia em um negócio sustentável, também são necessários conhecimento, capital, mercado e rede. É por isso que o Instituto Cória atua com programas de educação empreendedora e fomento ao empreendedorismo social, contribuindo para que ideias se transformem em negócios viáveis e capazes de gerar impacto.

O crédito climático começa a chegar aos pequenos negócios

Uma das barreiras mais conhecidas de quem empreende no Brasil é o acesso a financiamento. Na adaptação climática, o desafio pode ser ainda maior: instalar equipamentos mais eficientes, desenvolver uma tecnologia ou mudar um processo produtivo exige investimento inicial. Porém, nos últimos anos começaram a surgir ferramentas voltadas a esse tipo de iniciativa.

Uma delas é o Empreender Clima, plataforma lançada em 2025 em uma parceria entre o Ministério do Empreendedorismo, a Organização de Estados Ibero-Americanos, o Sebrae e o BNDES. A plataforma permite que micro e pequenos negócios identifiquem possibilidades de financiamento para projetos sustentáveis e realizem, gratuitamente, um pré-enquadramento para linhas do Fundo Clima.

Entre as possibilidades estão iniciativas relacionadas a serviços e inovação verdes, máquinas e equipamentos sustentáveis e outras soluções de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Para empresas enquadradas nas condições previstas, as taxas das operações podem partir de 4,4% ao ano, além da remuneração do agente financeiro, e determinados projetos podem financiar até 100% dos itens previstos no investimento. Os prazos variam conforme a modalidade e podem chegar a 25 anos.

No entanto, o acesso a financiamento é apenas uma parte desse processo. Identificar oportunidades, estruturar um modelo de negócio e construir conexões também são etapas importantes para transformar desafios em soluções viáveis.

Como identificar oportunidades na agenda climática?

Antes de pensar em uma solução, vale começar pelo problema. Qual desafio do seu território poderia ser enfrentado por meio de um produto, serviço ou mudança na forma de empreender?

Algumas perguntas que podem ajudar nesse processo:

1. Que problema climático ou ambiental aparece no meu território?
Observe o cotidiano. Excesso de resíduos? Falta de água? Enchentes? Calor? Dificuldades de mobilidade? Alto consumo de energia? Perdas de alimentos?

2. Quem é afetado por esse problema?
Famílias, comerciantes, empresas, produtores rurais, escolas, governos ou comunidades podem ter necessidades diferentes diante do mesmo desafio.

3. Como esse problema é resolvido hoje?
Entender as soluções existentes ajuda a identificar custos altos, dificuldades de acesso ou necessidades que ainda não foram atendidas.

4. Existe alguém disposto a pagar por uma solução melhor?
Impacto e sustentabilidade financeira precisam caminhar juntos. Identificar quem é o cliente, quem compra e quem se beneficia faz parte da construção do modelo de negócio.

5. Que políticas, programas ou linhas de financiamento já apoiam esse tipo de solução?
Mapear o ecossistema também é parte do desenvolvimento do empreendimento. A agenda climática envolve governos, universidades, organizações da sociedade civil, empresas, investidores, aceleradoras e instituições financeiras. Para pessoas empreendedoras, conhecer essas redes pode abrir caminhos que dificilmente seriam acessados de forma isolada.

Como o Instituto Cória ajuda a transformar desafios em oportunidades

Identificar um problema e imaginar uma solução é um primeiro passo. Mas transformar essa ideia em uma atividade econômica sustentável, ou adaptar um negócio que já existe, exige conhecimento, recursos, planejamento e conexões.

É nesse processo que o Instituto Cória atua, desenvolvendo iniciativas que aproximam empreendedorismo, desenvolvimento territorial e sustentabilidade. Nosso trabalho inclui programas de educação empreendedora, fomento ao empreendedorismo social, acesso e gestão de recursos e projetos de desenvolvimento territorial.

O Instituto também atua no desenho de soluções de sustentabilidade e em projetos voltados à melhoria dos indicadores de sustentabilidade das empresas, contribuindo para que organizações e negócios encontrem caminhos para gerar impacto socioambiental positivo.

Por meio de programas de empreendedorismo inclusivo, o Cória fortalece negócios tradicionais, startups e empreendimentos de impacto, com atenção especial a grupos sub-representados. A proposta é ampliar as condições para que mais pessoas e territórios participem das transformações econômicas e socioambientais.

Afinal, aproveitar as oportunidades da agenda climática não depende apenas de boas ideias. Depende também de criar condições para que elas se desenvolvam, ganhem escala e gerem resultados para as pessoas e os territórios.

A transição climática também é uma agenda de desenvolvimento

As mudanças climáticas impõem custos econômicos e socioambientais, e enfrentá-las será uma necessidade crescente para cidades, empresas e comunidades. A pergunta é quem terá condições de participar da construção das respostas.

Quando pequenos negócios, pessoas empreendedoras periféricas e soluções desenvolvidas nos próprios territórios encontram crédito, conhecimento, redes e acesso ao mercado, a agenda climática deixa de ser apenas um conjunto de metas globais. Dessa forma, ela pode se transformar em geração de renda, inovação e desenvolvimento local.

Para que essa transformação aconteça de maneira inclusiva, é preciso fortalecer negócios, ampliar o acesso a recursos e valorizar soluções construídas nos próprios territórios. Mais do que reconhecer os desafios, trata-se de criar condições para que diferentes pessoas e organizações participem da construção das respostas.

Talvez esse seja um dos principais caminhos para olhar a agenda climática, não como uma lista de problemas que precisam ser resolvidos, mas como um convite para construir as soluções que ainda faltam.

Sua organização quer desenvolver projetos de impacto, fortalecer pessoas empreendedoras ou encontrar caminhos para avançar na agenda da sustentabilidade? Conheça a atuação do Instituto Cória e converse com nossa equipe.

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